domingo, 30 de setembro de 2018

O Dualismo da Natureza Humana e suas Condições Sociais

DURKHEIM, Émile, “O dualismo da natureza humana e suas condições sociais”, in A ciência social e a ação. 

          O estudo da sociologia não se limita ao estudo de grupos humanos. Precisa, necessariamente, perpassar o estudo do indivíduo, e como este é formado a partir do social. O homem sempre esteve em confronto com a dualidade do ser: alma x corpo [tema bastante explorado pelas religiões], apetites sensíveis individuais x atividades morais [fome, sede x regras sociais], sagrado x profano. Agir de modo exclusivamente individual causaria dor, pois temos consciência das regras morais.
          De um lado temos os grupos: o lado social humano. Somos homens por sermos civilizados, e essa civilização também depende de cada indivíduo vivendo em comunidade. De outro lado temos o indivíduo: que faz contraposição ao social. É necessário sermos individuais para pensarmos, mas não há possibilidade de geração de pensamentos sem o convívio social.

          Duas cadeias de pensamento tentam derrubar a ideia da dualidade humana:


  • O monismo empírico nega esse conceito de dualidade. Para eles, o homem que cumpre um dever moral apenas busca interesses pessoais.  


  • O idealismo absoluto acredita que a realidade é una, e nós que não temos a capacidade de interpretá-la em seu emaranhado.

          As duas são refutadas pelo fato mesmo de os humanos buscarem religiões que insistem nessas contradições, mostrando o homem como um ser atormentado. Algumas teorias sobre a dualidade foram criadas por pensadores como Platão, que vê o homem como dividido em dois mundos: o mundo das ideias, do espírito e do bem, e o mundo amoral, da matéria. Kant insistia na ideia de termos uma faculdade de pensar individual, a sensibilidade, e uma faculdade de pensar universal e impessoal, a razão. Estas teorias, contudo, não explicam de onde surge a dualidade, nem como somos capazes de viver com essa batalha interna. 

          Os ideais da consciência grupal são repassados e aceitos, e mesmo quando o indivíduo se afasta, voltando a sua individualidade, estes permanecem, de forma  mais amena. As festas públicas e cerimônias tem o papel de reavivar o sentimento de pertencimento ao grupo. A consciência do grupo nos é imposta, e a vemos como superior, a aceitando como tal. Porém, ao nos afastarmos da figura de poder, e/ou por nosso convívio e experiências pessoais, a interpretamos a nossa maneira. "a sociedade tem uma natureza própria e, por conseguinte, exigências totalmente diferentes daquelas que estão implícitas na natureza do indivíduo." (p. 303). Assim, viver em sociedade impõe ao indivíduo um esforço, de sair de seu caminho e tomar ações em prol dos demais.

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